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Colecionáveis de infância!

Esses dias tive a idéia de fazer um post nostálgico sobre a gloriosa e inesquecível época das gamelocadoras, e tenho certeza de que agradaria muita gente. Mas tô sem tempo agora, então resolvi postar um texto, também nostálgico, que escrevi pro Taverna Nerd (meu blog conjunto fracassado) sobre colecionáveis de infância. É tapa buraco mesmo, gtfo. And enjoy the travel.

<Escrito por: Necrudo>

Esse dia eu estava pensando como eu era cheio de “trecos”, quando pequeno. “Quando pequeno” entenda de uns 6~8 anos atrás. Todo bom nerd que se preze coleciona algo. Isso vem de dentro, da alma (se ela existir). Eu possuia realmente uma porrada de tranqueiras que grande parte do povo que ler isso deve conhecer: dezenas de milhares de cartas de magic (um pouco recente, 6 anos atrás…mas ainda válido), tazos de todos os tipos (elma chips, ah…elma chips!) e outros colecionáveis, comuns aos caras de 15 até 18 anos, eu acho.

O primeiro colecionável de que me lembro, o mais memorável…era um que se chamava CAPS. Esse tazo, muito especial por sinal, foi uma febre exatamente há uma década atrás, 1998, quando eu estava na quarta série, assistindo YuYu Hakusho/Dragon Ball e brincando com Geloucos (essa é outra história). Tratava-se de um tazo que vinha de brinde naqueles chicletes PLOC! se não me engano. O motivo do sucesso do CAPS vinha de uma aglutinação de fatores:

1- Era barato demais! Molequinho pedia R$1 da mãe por dia pra “comprar merendinha”, e saía do seu zé dos bombons com nada menos que DEZ tazos e algumas cáries em dias posteriores.

2- O material dessa droga de tazo (droga hoje, porque antes era um artefato que gerava até sangue entre gangues juvenis) era o mais vagabundo possível. O cara que criou aquilo foi muito esperto, admito. Só pra comparação…dava pra entortar um tazo daqueles tão fácil como se entorta uma “capa dura” de um caderno, e sabemos que de dura não tem nada.

3- A temática da coleção CAPS. Se me lembro bem, lançaram essa linha de tazos da em época de Halloween. Logo, tínhamos todo o tipo de bizarrice, terror/horror pop e lendas urbanas, pintadinhas naqueles frágeis CAPS, para o delírio daquelas crianças perturbadas. Imagine só você, criança de 10 anos, comprando tazos “divertidos” e se deparava com ilustraçõs como Jack, o estripador (conheci o personagem no CAPS, inclusive), decepando uma moça e mostrando sua faca ensanguentada, ou então, Jason arrancando a cabeça de uma vítima. Eram coisas assim. The 90’s rulez.

Se liga na sagacidade, insensibilidade e puro descaso com a mente infantil da época.

4- CAPS era simplesmente a moeda de troca da molecada. Era o nosso dinheiro. Ser rico equivalia a andar com o bolso cheio de tazos valiosos conseguidos em trocas sábias ou árduas batalhas de bafo. Aquela deliciosa época coincidiu com uma época do ano em que ficávamos todas as noites sem luz, das 19:00 até umas 23:00. Era simples: a luz ia embora, gritos de todo os cantos do bairro ecoavam (pessoas soltam gritos de alegria quando a luz elétrica vai embora…nunca entendi bem isso) e a molecada convergia pro pátio de alguém com seu bolo de CAPS, que no mundo real geralmente não valia nem R$5. E daí as “negociações”, “desafios” e o escambau, ocorriam. Quando a luz voltava, a meninada exibia as novas aquisições (momento pra zoar os perdedores, também). Pra quê dinheiro, se você pode ter algo bem mais legal, encaixa direitinho na mão, não fede, não rasga fácil e ainda vem com um desenho from hell®?

Esses eram os principais motivos do sucesso de CAPS. Havia um também não citado, mas nem por isso era menos importante: se o seu zé dos bombons ou do mercadinho não tinha troco, ele dava tudo em quê? CAPS, malandro. O troco não era nem seu (sua mãe que mandou você comprar alguma coisa lá no mercadinho), mas você aceitava tudo em CAPS…apanhava da mãe mas teria moeda no crepúsculo.

Impossível não falar em colecionáveis de infância sem mencionar os da Elma Chips! Que hoje são uma droga, admito. Sinto pena dos tolos que foram esperar pra nascer tão tarde.

O negócio dos colecionáveis da EC era diferente. O preço do salgadinho era inviável. Não lembro bem, mas acho que chegava a R$3. Eu estudava em um colégio de freiras, cheio de riquinhos. O que os pobres como eu faziam? Oportunismo. Utilizávamos uma tática milenar aliada aos ensinamentos de Darwin: “os mais adaptados ao ambiente sobreviverão”.

Explicando melhor: os primeiros colecionáveis da EC que eu me recordo (os que foram realmente uma febre) foram as SuperCartas Pokémon. Estratégia sagaz. Na época, a criançada toda estava ligada no anime, e outra parcela de little nerds tava quase “vivendo” dentro de suas fitas de pokémon yellow. Nem preciso dizer que as SuperCartas foram um estouro. Funcionavam da seguinte maneira: 151 cards de pokémon, cada um tinha quatro poderes atrás, com valores, se não me engano, entre 1000 e 2000. Conseguir uma carta do adversário poderia ser feito de duas maneiras: bafo ou duelo de poderes. Se lembra do oportunismo, do parágrafo anterior? Então. Comprei um pacote de salgadinhos, e veio minha primeira SuperCarta, um MewTwo. A mais linda de todas. E como foi de lá em diante? Era só chegar nos moleques riquinhos, que geralmente eram uns gordinhos burgueses com bochecha rosada, lerdos e babões (um dia farei um post só falando do meu ódio para com esse tipo de criança escrota), e por isso, perdiam quase tudo no bafo e choravam feito bebês, para a minha satisfação. Então, começando com um MewTwo e depois de uma tarde tirando carta daqueles aglomerados de adipócitos, lá estava eu com uma pilha de cartas na mão. Algumas coladas com durex, outras bem desgastadas. Mas eu estava pronto pra batalha.

Nostalgia 200%

Eu tinha a moeda. Com CAPS era bem mais fácil fazer a troca do REAL para o tazo. Com as supercartas era mais difícil. É como trocar REAL por DOLLAR. Porque, como já disse, os pacotes de salgadinhos eram caros. Enfim, com meu bolo de cartas na mão, pensei: “finalmente posso duelar com poderes, não preciso mais de bafo…vou ver como é”. Não demorei muito pra descobrir que ninguém duelava dessa forma, pelo simples fato que algum filho da puta tinha duas cartas que tinham 2000 em todos os poderes (tudo maximizado). Eram: Seadra e Starmie. Logo notei, no auge da sabedoria dos meus 12 anos, que o imbecil que criou aquilo não entendia nada de pokémon. Meu MewTwo era mais fraco que uma Starmie. E assim, eu perdi meu MewTwo.

A era das SuperCartas acabou com louvor e deu lugar aos Tazos de Pokémon (primeiros 151). Febre igualmente difundida pelo colégio (bem como na época das cartas, era só andar pelos pátios com um bolo na mão que sempre tinha alguém com um bolo também), onde se aplicava, da mesma forma, a bendita técnica de oportunismo, por ser um brinde dos salgadinhos. Dessa vez, existiam evolutazos, uns que você movimentava e via o pokémon evoluir, na sua frente. Um espetáculo. Qualquer um poderia perder uma hora mechendo um evolutazo do Machop -> Machoke -> Machamp. Sério.

E tem evolutazo aí no meio!

O molecada na época dos tazos já estava mais esperta, e o bafo foi ficando mais disputado. Quem é perito em bafo sabe que a textura de tazos é bem escrota. Eles grudam com água, cuspe…várias técnicas foram desenvolvidas, safados (eu) largavam aquela bela cuspida no tazo pra colar no do adversário, e assim vai. E a era dos tazos foi se esvaindo.

Promoções Coca-Cola. Devo admitir…a Coca-Cola me fez feliz na infância de uma forma que eu nem me lembrava. Era simples: beba Coca-Cola, junte as tampinhas (cada uma vale um determinado número de pontos) e troque pelos brindes colecionáveis, propunham os visionários da empresa.

Só na copa de 98 lançaram duas coleções: Futegudes (bolinhas de gude transparentes, do material mais escroto possível, com uma fotinha do jogador dentro) e uma outra que eu não cheguei a colecionar, que eram estatuetas de caricaturas dos jogadores da seleção.

Outras coleções de destaque da Coca-Cola (colecionei tudo que falo aqui): Geloucos e Gelocósmicos (creio que esses foram uns dos mais marcantes, o material era legal, e dava pra colocar na estante e exibir) e as maravilhosas réplicas de garrafas, que eram réplicas em miniatura de garrafas de Coca-Cola através dos anos. Eu tinha todas. O mais interessante sobre essas réplicas eram as lendas acerca das mesmas. É imaginável que essas garrafinhas por serem réplicas, eram de vidro, e possuíam um líquido dentro. A molecada da época vivia especulando o que era aquilo. Uns diziam que era xarope, outros café, outros diziam que era apenas Coca-Cola, e os já extremistas natos diziam ser veneno. E, adivinha: todo mundo acreditava. Nêgo não bebia aquilo é com nojo.

Geloucósmicos!

Futegudes! Febre da copa, porra.

Passando pelas coleções que eram, no geral, miniaturas, chego nos gibis. Sempre fui viciado em Turma da Mônica (minha coleção tinha coisas realmente valorosas como o Gibizinho da Mônica nº 1, minha maior raridade na época), tinha pra lá de 500 gibis, chutando, isso em pouquíssimo tempo de coleção. Com o passar do tempo fui gostando mais e mais da coisa até ir comprando Zé Carioca e derivados. Vale lembrar que herdei uma coleção de gibis, quando criança. Tinha de tudo: Marvel até Tio Patinhas. Colecionar gibis sempre foi algo que correu nas veias.

E hoje, eu coleciono o quê? Tô tocando três coleções: HQ’s, DVD’s e Video Games/Jogos. Essa última é a mais espendiosa, mas nada que não vá se acumulando com o tempo e um esforcinho no trabalho. E o mais legal é perceber que coleção = investimento, e um dia você vai ver o preço das coisas que você coleciona lááá em cima e dizer: Não vendo, passar bem.

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