Pendrive alheio em apuros.

Eu não me lembro bem ao certo quando houve a explosão de pendrives. Só o que eu lembro é que, certa vez, apareci com um disquete na faculdade e riram da minha cara.

O pendrive é um como um HD removível. Genial, não? Você pode ter um HD ambulante, sacas. Eu nunca me preocupei em ter um pendrive, até o dia que as apresentações da faculdade se tornaram altamente dependentes dessa parada, visto que o datashow virou ”standard”. Então eu fui comprar um pendrive, em uma bela tarde após a aula, já um tempo atrás. É o jeito, às vezes não podemos resistir aos avanços.

Na minha sala, na faculdade, tenho uma amiga viciada em mangás, animes, essas paradas. Uma otaku, embora não assuma. Certa vez, jogando conversa fora no msn, ela me oferece um anime com todos os episódios em RMVB, no seu pendrive. Achei esquisita a proposta, mas aceitei.

No outro dia, ela me aparece no fim da aula com o pendrive, e eu coloquei cuidadosamente no compartimento superior da minha mochila, sabe como é, pra não dar merda. Prometi que traria o pendrive da menina são e salvo, no dia seguinte.

Cheguei em casa, copiei os episódios do pendrive dela (que por coincidência, é idêntico ao meu) pro meu pc, e o coloquei de volta no compartimento superior da minha mochila. Tudo perfeito, nenhuma merda tinha acontecido até então com o pendrive da menina.

No dia seguinte seria a última prova de Invertebrados II , e também a entrega de um resumo de crustáceos, que eu deixei pra fazer lá na sala (como de costume). Cheguei na faculdade cedo, pra comprar as folhas em branco e começar a fazer o resumo. Cheguei na papelaria, pedi três folhas de papel almaço. O dinheiro pra pagar a parada tava naquele compartimento superior da mochila, onde também estava o meu pendrive e o pendrive da minha colega, além das minhas canetas, meu lápis e minhas borrachas.

Meti a mão lá, sorrindo pra moça da papelaria, enquanto vasculhava o pequeno espaço em busca do dinheiro. Até que eu acho a moeda de R$1 e tiro de lá. Quando fiz isso, o desastre:

Minha mão tava suja de tinta.

Era tinta pra caralho.

Entrei em pânico na hora. Obviamente, o primeiro pensamento foi pegar o meu pendrive e o da menina e ver o estrago. Uma das minhas canetas estourou, e isso nunca havia acontecido antes. Nem preciso dizer que deixei a mulher com cara de merda lá no balcão e fui correndo pro banheiro avaliar os danos.

Chegando lá, eufórico, tirei os dois pendrives da mochila. Eles estavam totalmente azuis. Nessa hora, pensei: ”Me fodi, como sempre.”

Tive a idéia ridícula de molhar os dois pendrives, mas acabei manchando-os mais ainda. Fiquei logo puto lá no banheiro, um senhor que tava mijando por lá soltou uma risadela quando viu a situação, e eu ainda esbravejando. Escrotamente, o pendrive da menina era o mais pintado, e quando mais os segundos passavam eu me via mais fodido. Só imaginava eu entrando na sala e a menina chegando em mim pra pedir o pendrive. Na hora eu pensei: ”Ora bolas, eu posso dizer que esqueci, e tentar resolver isso amanhã ou depois, pedindo um pouco de álcool em algum laboratório e efetuar a limpeza dos dois pendrives”.

Daí eu fiquei UM POUCO mais tranquilo. Guardei os pendrives no bolso (já ia colocar na mochila de novo, pra sujar mais ainda…tava raciocinando pouco) saí do banheiro e me dirigi ao longo do corredor até minha sala. Entrei lá, o alívio: a menina não tinha chegado ainda. Fui sentar lá no meu lugar, no fundão, e fui lovo aliviando a história pros meus amigos, que começaram a rir da minha desgraça. Também deram a idéia do álcool, só pra aliviar o tranco mais ainda. O problema é que, sabe a capinha do pendrive? Se tinta tivesse vazado pra dentro daquela porra, eu tava fodido. E ainda mais, na limpeza do pendrive, o álcool também poderia foder os dois.

O  tempo foi passando, passando…nem preciso dizer que não prestei atenção alguma à aula escrota de genética, e logo chegou o intervalo. A menina não tinha chegado ainda, pra minha total alegria, mas ainda não total alívio. Então era hora de fazer os técnicos do laboratório ao lado da nossa sala sentirem pena da minha história e liberarem um pouco de álcool e algodão pra eu tirar os demônios do pendrive alheio. E lá fui eu, incrivelmente seguido dos meus amigos (até que nessa hora eles não foram uns filhos da puta), e consegui o bendito álcool 70% e uma porrada de algodão pra executar a limpeza do pendrive.

Mas eu tava nervoso. Ainda pensava que poderia acontecer merda na limpeza, e simplesmente peguei o bolo de algodão e mergulhei no álcool. Meus amigos perceberam minh situação terminal e tomaram conta da limpeza, limpando o pendrive da menina primeiro, com pequenos pedaços de algodão/cotonetes levemente molhados. Aí eu fiquei ali, vendo eles limparem a merda toda e pensando COMO eu posso ser tão azarento nesta porra de vida. Me emprestam um pendrive por um dia só, e acontece uma disgrórnia dessas? Aí meus olhos viajaram rapidamente dos técnicos do labóratório até a porta, onde eu via se conseguia detectar a presença da menina nos corredores, e rapidamente interceptar a visão dela acerca da operação no seu pendrive.

Quando dei por mim, os caras já tinham terminado de limpar o pendrive dela. Ficou totalmente limpo. Só restava saber se ele ia prestar após aquilo. Daí eu, já aliviado, começei a limpar o meu pendrive de qualquer jeito, e no final até que ficou limpinho.

Saí do laboratório, vitorioso. Não foi uma merda tão grande assim, mas eu fiquei até baqueado, tamanha a minha falta de sorta fela da puta. Nessa hora em que eu estava tendo algo parecido com um orgasmo, me lembrei subitamente que eu ainda não tinha feito a porcaria do resumo. Sem problemas, tudo era alegria àquelas alturas, voltei com a moça da papelaria (que ainda mantinha a mesma cara de quando eu saí parecendo um retardado em pânico) e comprei as folhas. Cheguei na sala, a menina já estava lá. Tentei evitar contato visual com minha ”quase carrasca” e prontei-me à fazer o resumo de Crustáceos. A prova naquele dia foi em dupla, e no término desta, cheguei com a menina (que estava sentada perto da mesa da professora) e entreguei, com um sorriso, o pendrive, seguido de um ”Valeu!”.

Vou tentar colocar pendrives alheios em compartimentos separados das canetas, de agora em diante.

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3 comments so far

  1. cavernanerd on

    E se ela ler isso? E se ela achar esse blog pesquisando por “crustráceos” ou “invertebrados II”!?

  2. cavernanerd on

    E se ela ler isso? E se ela achar esse blog pesquisando por “crustáceos” ou “invertebrados II”!?

  3. necrudo on

    Aí ela rirá.
    Ou irá suprir um ódio doentio por mim.
    Quem se importa.


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